A voz do padre está indo embora e o tratamento custa mais do que a paróquia consegue
O Padre Junior tem trinta anos e vive numa cidade pequena do Paraná, de gente que planta pra viver.
Tudo no trabalho dele passa pela voz: é com ela que celebra, batiza, casa os noivos e faz tudo que precisa na missa.
Há uns anos, apareceu um caroço pequeno embaixo do olho dele. Hoje essa massa desce do olho até o queixo, e ela vai tomando uma coisa de cada vez.
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Primeiro foi o olho, que abre só uma fresta. Depois a comida: desse lado ele não mastiga mais, come o que a Dona Cida, uma senhora da paróquia, amassa na panela.
Agora isso chegou na voz dele.
Existe tratamento. O doutor que acompanha o caso explicou o caminho: tira essa massa do rosto e devolve o que ela foi tomando, o olho, a boca, a voz.
O que não existe é o valor. A paróquia fez tudo que pode, teve gente que tirou do pouco que tinha, mas mesmo somando tudo, não pagou nem o começo.
O Padre Junior segue subindo no altar todo dia, enquanto a voz sai. Passou a vida sendo a mão que o povo dali segura e essa é a primeira vez que é ele quem precisa de uma.
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